sábado, 25 de julho de 2015

Deficiências - 4. Deficiência Intelectual

A deficiência intelectual refere-se ao funcionamento intelectual, significantemente, inferior à média, com manifestação antes dos 18 anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tais como:
  • Comunicação,
  • Cuidado pessoal,
  • Habilidades sociais,
  • Utilização dos recursos da comunidade,
  • Saúde,
  • Segurança,
  • Habilidades acadêmicas,
  • Lazer, e
  • Trabalho.

TIPOS

Pessoas com deficiência intelectual são afetados de diversas formas. Sendo assim, depende do grau de comprometimento. 

O nível de desenvolvimento a ser alcançado pela pessoa com deficiência intelectual dependerá do grau de comprometimento da deficiência mental, como também da sua história de vida, do apoio familiar e das oportunidades vivenciadas.


CAUSAS / FATORES DE RISCO

São diversas as causas e fatores de risco da deficiência intelectual. Entre eles, podemos citar:
  1. Fatores de Risco e Causas Pré Natais: são aqueles que incidem desde a concepção até o início do trabalho de parto, podendo ser:
  • Desnutrição materna.
  • Má assistência à gestante.
  • Doenças infecciosas, como a sífilis, rubéola, toxoplasmose, poluição ambiental, tabagismo.
  • Genéticos: alterações cromossômicas (ex: Síndrome de Down, Síndrome de Matin Bell), alterações gênicas (ex: erros inatos do metabolismo), Síndrome de Williams, esclerose tuberosa, etc.
   
   2. Fatores de Risco e Causas Periantos: são aqueles que vão incidir do início do trabalho de parto até o 30° dia de vida do bebê, e podem ser divididos em: 

  • Má assistência ao parto e traumas de parto.
  • Hipóxia ou anóxia ( oxigenação cerebral insuficiente ).
  • Prematuridade e baixo peso (PIG - Pequeno para idade Gestacional ).
  • Icterícia grave do recém nascido - Kernicterus (incompatibilidade RH/ABO).
    
   3. Fatores de Risco e Causas Pós Natais: Incidirão do 30° dia de vida até o final da adolescência,  podendo ser:
  • Desnutrição, desidratação grave, carência de estimulação global.
  • Infecções, como por exemplo, meningoencefalites, sarampo, entre outros.
  • Intoxicações exógenas (envenenamento): Remédios, inseticidas, produtos químicos (chumbo, mercúrio, etc.).
  • Acidentes: Trânsito, afogamento, choque elétrico, asfixia, quedas, etc.
  • Infestações: Neurocisticercose (larva da Taenia Solium).

COMO IDENTIFICAR
  • Atraso no desenvolvimento neuro-psicomotor (a criança demora para firmar a cabeça, sentar, andar, falar ).
  • Dificuldade no aprendizado (dificuldade de compreensão de normas e ordens, dificuldade no aprendizado escolar).
  • É preciso que haja vários sinais para que se suspeite de deficiência mental. Um único aspecto não pode ser considerado como indicativo de qualquer deficiência.

DICAS
  • Ao dirigir-se a uma pessoa com deficiência intelectual, cumprimente-a normalmente, como você faria com qualquer outra pessoa.
  • Expresse alegria ao encontrá-la, dê-lhe atenção e mantenha a conversa até onde for possível.
  • Evite a superproteção, independente da idade que ela tiver, nem use linguagem infantilizada.
  • Deixe que ela tente fazer sozinha, o máximo que ela puder. Ajude-a somente quando for necessário.
  • Procure dar-lhe atenção e tratá-la de acordo com a faixa etária.
  • Não a ignore durante a conversação. Cumprimente-a e despeça-se dela, como você o faria com outras pessoas.
  • A deficiência intelectual não é uma doença. Pode ser conseqüência de alguma doença, por isso não utilize palavras pejorativas.
  • Não confunda "deficiência intelectual" com "transtorno mental".
  • A pessoa com deficiência intelectual aprende mais lentamente. Respeite o ritmo dela e procure lhe oferecer oportunidades, pois ela pode desenvolver habilidades, tornar-se produtiva e participar com dignidade e competência.

BIBLIOGRAFIA

CÂMARA DOS DEPUTADOS. Legislação Brasileira Sobre Pessoas com Deficiência. Decreto nº 3.298, de 1999. Brasil.
GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. Identificando o aluno com deficiência mental: Critérios e parâmetros. Rio de Janeiro: Coordenação de Educação Especial, s/d (c. 2001).
PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA - Casa Civil. Decreto nº 5.296, de 2004. Brasil.
Secretaria Especial dos Direitos da Pessoa com Deficiência - Prefeitura Municipal de Curitiba. Cartilha de Comportamentos, Mitos e Verdades. Volume 1. Abril de 2014.
ONU. Declaração dos Direitos das Pessoas Deficientes. 

Deficiências - 3. Surdocegueira

A surdocegueira é a ocorrência de deficiência auditiva e visual na mesma pessoa. Os casos mais acentuados são aqueles em que a pessoa tem a perda auditiva profunda (não consegue ouvir os sons da fala) e cegueira desde os primeiros meses de vida.

A surdocegueira, infelizmente, não é apenas o somatório dos efeitos da surdez com os da cegueira. A pessoa cega possui maiores possibilidades de se inserir na sociedade. A pessoa surda dispõe de equipamentos  e meios para exercer plenamente sua cidadania. No entanto, a pessoa surdocega precisa de muito apoio especializado, pois a visão de mundo só será possível através do tato, principalmente, das mãos.

CAUSA

  • Síndrome da rubéola congênita. Se uma gestante contrair rubéola até o terceiro mês de gestação, poderá gerar um filho com surdocegueira.

COMO IDENTIFICAR

O bebê não reage a estímulos auditivos e nem a estímulos visuais. Nos primeiros estágios de vida, sua comunicação depende, essencialmente, do choro. Através do choro, ele vai aprendendo a conseguir o alimento, a ver-se livre de determinado desconforto, a sentir, pelo tato, a presença de alguém ou de algo. Com mais idade, tende a desenvolver o balanceio do corpo, a pressionar com os dedos o globo ocular; uma forma de ter a sensação de luz. 

DICAS

  • Os pais, ao constatarem que o bebê é surdocego, devem procurar, o mais breve possível, atendimento especializado, inclusive para receberem instruções de como devem agir.
  • Quando você estiver diante de uma pessoa surdacega e quiser ajudá-la, lembre-se: toda e qualquer informação só será recebida por ela através do tato. 
  • Não deixe o surdocego sentir-se sozinho, nem o deixe em pé e distante de um apoio. Ao caminharem juntos, deixe que ele segure no seu braço.
  • Ao se dirigir ao surdocego, sempre se identifique. Deixe-o sentir seu anel, o brinco ou o relógio que você sempre costuma usar. Depois, oriente-o sobre o que pretende fazer.
  • A pessoa surdocega pode estar acompanhada de um Guia-Intérprete, o qual utiliza diversos recursos de comunicação, como por exemplo, a Libras Tátil (Libras nas palmas das mãos) ou o Todoma, que consiste em a pessoa surdocega colocar a mão no rosto do Guia-Intérprete, com o polegar tocando suavemente o lábio inferior e os outros dedos pressionando levemente as dobras vocais. Através da vibração das cordas vocais, ela consegue entender o que a outra pessoa está falando. Há pessoas surdocegas que apenas não ouvem, mas falam; portanto, ela pode ouvir pelo Tadoma e falar com a própria voz. Quando começar um diálogo com uma pessoa surdocega que utiliza o Tadoma, deixe que ela faça o mesmo com você.
BIBLIOGRAFIA

Fundação de Ação Social - Diretoria de Proteção Social Básica. O agir e a atitude diante de uma pessoa com deficiência: noções básicas. Curitiba, PR. 2012.
SASSAKI, R. K. Terminologia sobre deficiência na era da inclusão. Revista Nacional de Reabilitação, São Paulo, ano V, n. 24, jan./fev. 2002, p. 6-9.
Secretaria Especial Dos Direitos Da Pessoa com Deficiência - Prefeitura Municipal de Curitiba. Cartilha de Comportamentos, Mitos e Verdades. Volume 1. Abril de 2014.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Deficiências - 2. Deficiência Visual

Deficiência visual: cegueira, na qual a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; a baixa visão, que significa acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; os casos nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60º ou a ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores (Decreto nº 5.296/2004).

CAUSAS

Durante a gravidez: Rubéola, toxoplasmose e doenças sexualmente transmissíveis (DST).

Após o nascimento: Glaucoma, catarata, diabetes, toxoplasmose, acidentes, incompatibilidade sanguínea (Rh), retinose pigmentar, retinoplastia, uveíte, atrofia do nervo ótico, deslocamento de retina, ceratocone, entre outras.
 

COMO IDENTIFICAR

No bebê: Não acompanha estímulos visuais (luzes, movimento de objetos), deixa de movimentar as mãos em frente aos olhos, não responde a sorrisos.

Na infância e na idade adulta: Lacrimejamento, irritação constante nos olhos, força o olhar ao se interessar por determinados objetos, aproxima os objetos dos olhos mais do que o normal, tropeça e derruba objetos ao caminhar, omite letras e pula linhas e sua escrita pode ser ilegível.

PREVENÇÃO
  • Realizar pré-natal, não usar colírios e pomadas sem prescrição médica.
  • Durante a infância, os pais e professores devem estar atentos à escrita, leitura e dificuldades de aprendizagem da criança.
  • Consultar um oftalmologista pelo menos uma vez ao ano.
DICAS
  • Ao se direcionar a uma pessoa com deficiência visual, aproxime-se de modo que ela possa notar. Procure dar alguma pista sonora ao se aproximar. Cumprimente-a e apresente-se. Nunca empregue brincadeiras como: "Advinha quem é?".
  • Converse com a pessoa cega em tom normal de voz.
  • Sempre que precisar sair de perto de uma pessoa cega, avise-a, para que ela não continue falando, achando que você ainda está nas proximidades.
  • Se for auxiliar uma pessoa cega na rua, primeiro pergunte se ela precisa de ajuda; em caso afirmativo, pergunte aonde ela pretende ir, pois você poderá mudar sua referência. Ao atravessar a rua, atravessem-na em linha reta, senão ela poderá perder a orientação.
  • Para guiar uma pessoa cega, deixe que ela segure em seu braço; ela irá ao seu lado, um pouquinho atrás, acompanhando os movimentos do seu corpo. Diminua a marcha diante de degraus, meio fio e outros obstáculos que encontrarem pelo caminho. Ela sentirá a mudança de ritmo e dos seus movimentos. Passe a uma certa distância de postes e de obstáculos laterais.
  • Quando for orientar e explicar direções para uma pessoa cega, seja claro, alerte-a sobre obstáculos no caminho, indique as distâncias aproximadas em metros ou passos.
  • Se ela for utilizar uma cadeira, guie a mão dela até o encosto da cadeira e informe se essa tem ou não braços.
  • Se tiver com uma pessoa cega durante a refeição, pergunte-lhe se quer auxílio para cortar a comida ou para adoçar o café, e explique-lhe a posição dos alimentos no prato.
  • No restaurante, não havendo cardápio em Braille, se a pessoa cega assim o desejar, você poderá ler o cardápio e os preços.
  • A pessoa cega não vive num mundo escuro e sombrio. Ela percebe coisas e ambientes e adquire informações através do tato, da audição e do olfato. Ela pode ler e escrever também em Braille.
  • O computador é outra ferramenta que auxilia a pessoa cega a se comunicar, possibilitando à pessoa cega escrever e conferir textos, ler jornais e revistas, via internet ou livro digitalizado, utilizando programas específicos (DosVox, Virtual Vision, Jaws, etc.),nos quais se fala o que está escrito na tela.
  • Bengala ou cão-guia auxiliam a pessoa cega para caminhar com autonomia, identificando ou desviando-se de degraus, buracos, meio-fio, raízes de árvores, orelhões, postes, objetos protuberantes nos quais ela possa bater a cabeça, etc. O cão-guia nunca deverá ser distraído. Lembre-se! Ele está trabalhando, guiando a pessoa cega.
  • Ao planejar eventos, providencie material em Braille.
Pessoa com baixa visão
  • Proceda quase da mesma forma que com a pessoa cega.
  • Pessoas com baixa visão podem usar bengala ou não.
  • Ao planejar eventos, providencie material impresso com letras ampliadas.
BIBLIOGRAFIA

Brasil. Decreto nº 5.296, de 2 de dezembro de 2004 (dispõe sobre acessibilidade).
CLEMENTE, Carlos Aparício. Conviva com a diferença. Osasco: Espaço da Cidadania, 2003 (cartilha disponível em http://ecidadania.cjb.net, e-mail:espaco.cidadania@ig.com.br).
FDNC. O que você pode fazer quando encontrar uma pessoa cega. São Paulo: Fundação Dorina Nowill para Cegos, c.2005 (folheto). Site: www.fundacaodorina.org.br, e-mail: info@fundacaodorina.org.br.
Secretaria Especial da Pessoa com Deficiência - Prefeitura Municipal de Curitiba. Cartilha de Comportamentos, Mitos e Verdades. Volume 1. Abril de 2014.


domingo, 19 de julho de 2015

Deficiências - 1. Deficiência Auditiva

Segundo o Decreto 3.298, de 20 de dezembro de 1999, a deficiência auditiva é uma "perda parcial ou total das possibilidades auditivas sonoras, variando em graus e níveis".

Há diferentes tipos de perda auditiva. São chamadas de surdos, os indivíduos que têm perda total ou parcial, congênita ou adquirida da capacidade de compreender a fala através do ouvido.

Conforme Roeser & Downs, Martinez (2.000), é possível classificar a pessoa com deficiência de acordo com seu grau de perda auditiva, avaliada em decibéis.

a) de 25 a 40 decibéis (db) - surdez leve;
b) de 41 a 55 db - surdez moderada;
c) de 56 a 70 db - surdez acentuada;
d) de 71 a 90 db - surdez severa;
e) acima de 91 db - surdez profunda;
f) Anacusia.

A audição está normal quando há uma diminuição de até 15dB.

Perda leve: A pessoa costuma pedir para repetirmos o que acabamos de lhe dizer, tem dificuldade para localizar a fonte sonora, parece desatenta.

Perda Moderada: A pessoa tem dificuldades para entender o que as outras falam, não atende chamados feitos a distância ou quando o interlocutor está fora do seu campo visual. Na escola, sem ajuda técnica, o seu rendimento acadêmico costuma ser inferior ao dos demais alunos.

Perda severa/profunda: A pessoa não ouve os sons da fala; se for criança de pouca idade, aponta com o dedo para indicar o que quer, faz movimentos com a cabeça para concordar ou não com o interlocutor. O barulho no ambiente, desde que não produza vibrações fortes em móveis, paredes e objetos, não interfere no seu sono. Sem ajuda técnica, terá dificuldades para desenvolver plenamente suas potencialidades.


PRINCIPAIS CAUSAS

A deficiência auditiva pode ser congênita ou adquirida

As principais causas da deficiência congênita são: hereditariedade, viroses maternas (rubéola,sarampo), doenças tóxicas da gestante (sífilis, citomegalovírus, toxoplasmose), ingestão de medicamentos ototóxicos (que lesam o nervo auditivo) durante a gravidez.
A deficiência auditiva pode ser adquirida, quando existe uma predisposição genética (otosclerose), quando ocorre meningite, ingestão de remédios ototóxicos, exposição a sons impactantes (explosão) ou viroses, por exemplo.

Outra forma de classificar as causas potenciais da deficiência auditiva ou a ela associadas:

Causas pré-natais: A criança adquire a surdez através da mãe, no período de gestação, devido à presença de fatores como: 
  • Desordens genéticas ou hereditárias;

  • Causas relativas à consanguinidade;

  • Causas relativas ao fator Rh;

  • Causas relativas a doenças infecto-contagiosas, como a rubéola;

  • Sífilis, citomegalovírus, toxoplasmose, herpes;

  • Ingestão de remédios ototóxicos;

  • Ingestão de drogas ou alcoolismo materno;

  • Desnutrição/subnutrição/carências alimentares;

  • Pressão alta;

  • Diabetes;

  • Exposição à radiação.

Causas perinatais: Quando a criança fica surda em decorrência de problemas no parto: 
  • Pré- maturidade, pós- maturidade, anóxia, fórceps;

  • Infecção hospitalar.

Causas pós-natais: A criança fica surda em decorrência de problemas após seu nascimento: 
  • Meningite;

  • Remédios ototóxicos, em excesso ou sem orientação médica;

  • Sífilis adquirida;

  • Sarampo, caxumba;

  • Exposição contínua a ruídos ou sons muito altos;

  • Traumatismos cranianos.

O diagnóstico médico permite, em muitos casos, que se identifique a causa mais provável da perda auditiva, mas infelizmente, isso nem sempre é possível. A ocorrência de gestações e partos com histórico complicado, bem como a manifestação de doenças maternas no período próximo ao nascimento da criança podem inviabilizar a identificação dessa causa. Por isso mesmo, em cerca de 50% dos casos, a origem da deficiência auditiva é atribuída a 'causas desconhecidas'. Quando se consegue descobrir a causa, o mais freqüente é que ela se deva a doenças hereditárias, rubéola materna e meningite. 

Surdez súbita

Algumas pessoas apresentam perdas auditivas súbitas, elas quase sempre são unilaterais, mas em raras ocasiões podem atingir os dois ouvidos. Pressão no(s) ouvido(s) ou "estalos" são sintomas que podem indicar o aparecimento da surdez, não só a súbita, como a progressiva, que pode atingir níveis elevados em poucos dias. A surdez súbita é acompanhada de "estalos" intensos, podendo haver vertigem ao mesmo tempo. São causadoras desse problema: 
  • Lesões na cóclea ou no nervo auditivo.

  • Formação de coágulos nos vasos que irrigam a cóclea, o que faz com que as células sensoriais morram por não receber sangue. Problema mais comum em pessoas com diabetes e hipertensão.

  • Processos infecciosos como sarampo, rubéola , herpes ou mesmo gripe comum.

  • Alergias, como reação a soros, vacinas, picadas de abelha ou comidas.

  • Tumor no nervo auditivo, causa de 10 % dos casos.

  • Autoimunização, quando o mecanismo de defesa do organismo ataca a cóclea e mata as células como se fossem um corpo estranho.

  • Excesso de ruído (barulhos acima de 120 decibéis podem provocar falta de estabilidade no líquido que preenche a cóclea e alimenta as células sensoriais).

  • Infecção bacteriana no labirinto, que pode desencadear. hipersensibilidade e problemas de microcirculação.

  • Degeneração neurológica (em casos raros, a surdez súbita pode ser o primeiro sintoma de esclerose múltipla).

  • Batida na cabeça e fratura do osso temporal.

  • Fístula perilinfática, estrutura que liga a caixa do tímpano com a cóclea se rompe sem causa aparente e provoca perda do líquido que nutre as células sensoriais. À medida que as células morrem, a audição fica comprometida.

  • Obstrução por cera ou inflamações (Otites).

PREVENÇÃO


  • As mulheres devem se vacinar contra rubéola pelo menos 6 meses antes de engravidar;
  • Não permanecer no interior de ambientes onde estão sendo emitidos sons altos (acima de 70 dB);
  • Evitar fones de ouvidos, mas se for imprescindível, utilizar os modelos de fones que fiquem para fora dos ouvidos;
  • Usar equipamento de proteção nas orelhas, ao manusear ferramentas que produzem ruídos altos;
  • Não se automedicar.

DICAS

Pessoas com surdez moderada, severa ou profunda podem melhorar a sua audição com o uso de aparelhos de ampliação sonora individuais (próteses auditivas) ou com implante coclear. 

A pessoa com deficiência auditiva pode ter dificuldades em discriminar os sons da fala. Se a perda auditiva é severa/profunda, é provável que ela se comunique através de LIBRAS (modalidade de linguagem gestual-visual) ou, se ela não teve a oportunidade de aprendê-la ainda, talvez empregue gestos comuns.

Quando você quiser comunicar-se com uma pessoa surda, sinalize com a mão ou tocando no braço dela. Procure estar ao alcance do seu campo visual, permita que sua boca fique bem visível, fale devagar e de maneira clara, para que ela faça a leitura orofacial (leitura dos lábios e dos movimentos faciais) e todo o movimento corporal, proporcionando uma melhor compreensão da mensagem. Se você olhar para outro lado, ela pode interpretar que a conversa terminou.

Seja expressivo. A pessoa surda não pode ouvir as mudanças de entonação da sua voz. É preciso que você lhe mostre isso através da sua expressão facial, gestos ou movimentos do corpo para ela entender o que você quer comunicar.

Se a pessoa não lhe entender, não grite, porque ela continuará não entendendo você. Nesse caso, você poderá escrever o que pretende comunicar à ela.

O uso da escrita é um bom recurso para esclarecer dúvidas, confirmar dados, registrar informações importantes, garantir a compreensão da informação, e também ser usada como rotina na comunicação de avisos gerais.

Se a pessoa surda estiver acompanhada de um intérprete de LIBRAS, fale olhando para ela e não para o intérprete.

Em geral, pessoas surdas preferem ser chamadas de surdos e não, pessoas com deficiência auditiva.

Não use a expressão surdo-mudo, pois é totalmente inadequada. A pessoa ouvinte aprende a falar porque tenta repetir os sons que ouve. Com a repetição, acaba aprimorando as suas emissões. O surdo, apesar de ter cordas vocais íntegras, precisa de apoio técnico para fazer o mesmo, uma vez que, por não ouvir, não consegue simplesmente ir treinando sua fala. Pessoa muda é aquela cujas cordas vocais não são funcionais.

Com a velhice, a acuidade auditiva de qualquer pessoa tende a diminuir. Portanto, diante de uma pessoa idosa, incentive-a a participar da conversa, fale mais devagar, use frases curtas. Não permita que ela se isole cada vez mais, nem dê motivos para deixá-la ansiosa ou angustiada.

Procure, o mais breve possível, um médico otorrinolaringologista e/ou fonoaudiólogo, em caso de suspeita de perda auditiva. Quanto antes a perda auditiva for diagnosticada e quantificada, mais precocemente poderá receber o apoio técnico e profissional de que precisa.

BIBLIOGRAFIA

PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA - Casa Civil - Subchefia para assuntos jurídicos. Decreto  Nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999, Brasília.
SASSAKI, Romeu Kazumi. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. 8 ed. Rio de Janeiro/RJ: WVA, 2010.
_______. Portadores de deficiência ou pessoas com deficiência? Recife: Encontrão 2000. (Evento realizado em 3 a 6 de setembro de 2000). São Paulo/SP, julho de 2003a.
_______. Vocabulário usado pela mídia: O certo e o errado. Recife, 2000 (apostila de curso).
_______. Como chamar as pessoas que têm deficiência. São Paulo/SP: RNR, 2003b.
Secretaria Especial dos Direitos da Pessoa com Deficiência - Prefeitura Municipal de Curitiba. Cartilha de Comportamentos, Mitos e Verdades. Volume 1. Abril de 2014.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Doença profissional ou ocupacional X Doença do Trabalho

Doença profissional ou ocupacional: É aquela que é produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar à determinada profissão ou função, ou seja, está diretamente ligada a profissão do trabalhador.

Doença do trabalho: Está ligada ao ambiente do trabalho. É aquela que tem ligação com o ambiente onde o trabalho é exercido.

Tanto a Doença do Trabalho como a Doença Ocupacional são consideradas acidente de trabalho.

Referência: Lei 8.213 de 24/07/91 - Artigo 20, itens 1 e 2.

Depressão

A depressão é um transtorno de humor, também conhecida como doença afetiva, por afetar, principalmente, o estado de humor ou os afetos - humor triste, melancólico ou depressivo. Atualmente, tem sido apontada como um dos males mais frequentes na saúde, não fazendo distinção de classe, nem observando limites de idade. Trata-se de um transtorno que afeta o corpo como um todo, pois causa alteração do sono, no apetite, na disposição física, além de dar um "tom pessimista" na maneira como a pessoa percebe e sente o mundo. Pode ser detectada concomitantemente a outros tipos de transtornos psíquicos ou doenças orgânicas e ser desencadeada por situações de estresse. Considerada como o "mal do século", a depressão está se configurando como a característica do homem na atualidade ou, nas palavras de Peres (2003), a "globalização de um estado d'alma". 

No episódio depressivo, o paciente apresenta humor triste, perda do interesse e prazer nas atividades cotidianas, sendo comum, uma sensação de fadiga aumentada. Pode mostrar dificuldade de concentração, baixa autoestima e autoconfiança, desesperança, idéias de culpa e sentimento de inutilidade; visões desoladas e pessimistas do futuro, idéias ou atos suicidas. Alteração do apetite e no sono são comuns.Sintomas de ansiedade são frequentes. A angústia tende a ser tipicamente mais intensa no período da manhã. As alterações da psicomotricidade podem variar da lentificação à agitação. Pode haver lentificação do pensamento.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde - OMS -, a depressão é uma das mais frequentes na população mundial, sendo uma das maiores questões de saúde pública da atualidade. É uma das doenças que mais afastam as pessoas do trabalho.

FATORES DE RISCO DE NATUREZA OCUPACIONAL

A relação dos episódios depressivos com o trabalho pode ser sutil. As decepções sucessivas em situações de trabalho frustrantes, as perdas acumuladas ao longo dos anos de trabalho, as exigências excessivas de desempenho cada vez maior, no trabalho, geradas pelo excesso de competição, implicando ameaça permanente de perda do lugar que o trabalhador ocupa na hierarquia da empresa, perda efetiva, perda do posto de trabalho e demissão podem determinar depressões mais ou menos graves. A situação de desemprego prolongado tem estado associada ao desenvolvimento de episódios depressivos. 

Episódios depressivos também estão associados à exposição ocupacional às seguintes substâncias químicas tóxicas: 

  • Brometo de metila; 
  • Chumbo e seus compostos tóxicos; 
  • Manganês e seus compostos tóxicos; 
  • Mercúrio e seus compostos tóxicos; 
  • Sulfeto de carbono; 
  • Tolueno e outros solventes aromáticos neurotóxicos;
  • Tricloroetileno, tetracloroetileno, tricloroetano e outros solventes orgânicos halogenados neurotóxicos;
  • outros solventes orgânicos neurotóxicos

QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO 

O diagnóstico de episódio depressivo requer a presença de pelo menos cinco dos sintomas abaixo, por um período de, no mínimo, duas semanas, sendo que um dos sintomas característicos é humor triste ou diminuição do interesse ou prazer, além de: 

  • Marcante perda de interesse ou prazer em atividades que normalmente são agradáveis; 
  • Diminuição ou aumento do apetite com perda ou ganho de peso (5% ou mais do peso corporal, no último mês); 
  • Insônia ou hipersonia; 
  • Agitação ou retardo psicomotor; 
  • Fadiga ou perda da energia; 
  • Sentimentos de desesperança, culpa excessiva ou inadequada; 
  • Diminuição da capacidade de pensar e de se concentrar ou indecisão;
  • Pensamentos recorrentes de morte (sem ser apenas medo de morrer), ideação suicida recorrente sem um plano específico ou uma tentativa de suicídio ou um plano específico de suicídio.


PREVENÇÃO 

A prevenção dos episódios depressivos relacionados ao trabalho consiste, basicamente, na vigilância dos ambientes, das condições de trabalho e dos efeitos ou danos à saúde. Requer uma ação integrada, articulada entre os setores assistenciais e da vigilância, sendo desejável que o atendimento seja feito por uma equipe multiprofissional, com abordagem interdisciplinar, capacitada a lidar e dar suporte ao sofrimento psíquico do trabalhador e aos aspectos sociais e de intervenção nos ambientes de trabalho. 

As medidas de controle ambiental visam à eliminação ou à redução da exposição a substâncias químicas envolvidas na gênese da doença, por meio de: 

  • Enclausuramento de processos e isolamento de setores de trabalho, se possível, utilizando sistemas hermeticamente fechados; 
  • Normas de higiene e segurança rigorosas, incluindo sistemas de ventilação exaustora adequados e eficientes; 
  • Monitoramento sistemático das concentrações no ar ambiente; 
  • Adoção de formas de organização do trabalho que permitam diminuir o número de trabalhadores expostos e o tempo de exposição; 
  • Medidas de limpeza geral dos ambientes de trabalho, de higiene pessoal, recursos para banhos, lavagem das mãos, braços, rosto e troca de vestuário; 
  • Fornecimento, pelo empregador, de equipamentos de proteção individual adequados, de modo complementar às medidas de proteção coletiva. 


A intervenção sobre as condições de trabalho se baseia na análise ergonômica do trabalho real ou da atividade, buscando conhecer, entre outros fatores: 

  • Conteúdo das tarefas, dos modos operatórios e dos postos de trabalho; 
  • Ritmo e intensidade do trabalho; 
  • Fatores mecânicos e condições físicas dos postos de trabalho e das normas de produção; 
  • Sistemas de turnos; 
  • Sistemas de premiação e incentivos; 
  • Fatores psicossociais e individuais; 
  • Relações de trabalho entre colegas e chefias; 
  • Medidas de proteção coletiva e individual implementadas pelas empresas; 
  • As estratégias individuais e coletivas adotadas pelos trabalhadores.


Em caso de suspeita ou confirmação da relação da doença com o trabalho, deve-se: 

  • Informar ao trabalhador;  
  • Examinar os expostos, visando a identificar outros casos; 
  • Notificar o caso aos sistemas de informação em saúde (epidemiológica, sanitária e/ou de saúde do trabalhador), por meio dos instrumentos próprios, à DRT/MTE e ao sindicato da categoria; 
  • Providenciar a emissão da CAT;
  • Orientar o empregador para que adote os recursos técnicos e gerenciais adequados para eliminação ou controle dos fatores de risco; 
  • Acompanhar o retorno do trabalhador ao trabalho, seja na mesma atividade com modificações ou restrições, seja para outra atividade, o que é importante para garantir que não haja progressão, recidivas ou agravamento do quadro.


Referência bibliográfica: 
Ministério de Saúde do Brasil. Organização Pan-Americana da Saúde/Brasil. Doenças Relacionadas ao Trabalho - Manual de Procedimentos para os Serviços de Saúde. Brasília/DF.
Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais - DSM V - 5ª Ed. 2014.

Considerações sobre a Psicologia Organizacional

A Psicologia Organizacional é uma área de atuação dentre muitas da Psicologia. Refere-se ao desenvolvimento e à aplicação de princípios científicos no ambiente de trabalho. Se preocupa em compreender o comportamento individual e aumentar o bem-estar dos colaboradores no ambiente de trabalho. Tem natureza ambígua, porque é uma ciência que se ocupa das pessoas no trabalho, e que por essa especificidade, se associa a outras áreas da psicologia, como a cognitiva e a social. Ela também é a aplicação dos princípios psicológicos da organização e do ambiente de trabalho.

A Psicologia Organizacional se dedica ao trabalho, propondo métodos eficazes para a melhoria do ambiente de trabalho e, por conseguinte, da qualidade de vida do trabalhador. Foca diversos aspectos que podem melhorar a execução do trabalho, incluindo o recrutamento e seleção e treinamento de pessoas, e a adequação de tarefas mais apropriadas. 

O campo da psicologia organizacional é muito abrangente, indo desde os métodos de contratação de colaboradores a teorias referentes ao funcionamento das organizações, auxiliando essas, a obter o melhor dos seus colaboradores e de seus recursos humanos, a cuidar da saúde e do bem-estar dos colaboradores.

O psicólogo organizacional poderá desenvolver, entre outras, as seguintes atividades:

  • Elaborar e ministrar cursos e treinamentos;
  • Realizar pesquisas;
  • Redigir artigos de apresentá-los em conferências;
  • Fornecer serviços de consultoria às organizações;
  • Escrever artigos ou livros;
  • Analisar a natureza de uma atividade (análise da tarefa);
  • Conduzir uma análise para determinar a solução de um conflito organizacional;
  • Realizar pesquisa de clima organizacional;
  • Projetar sistemas para avaliação de desempenho;
  • Projetar sistemas de seleção de pessoal;
  • Projetar programas de treinamentos;
  • Desenvolver testes psicológicos;
  • Avaliar a eficácia de uma atividade ou prática;
  • Implementar mudanças organizacionais;
  • Elaborar e desenvolver projetos;
  • Participar de reuniões junto a alta gestão da organização, etc.